Fator Nostalgia

A maioria das pessoas que consomem os jogos e consoles clássicos o fazem movidas por aquele desejo de reviver bons momentos. Pegar o console, ligá-lo em uma TV de tubo, assoprar aquele bom e velho cartucho de Super Mario World fazem parte de um ritual que automaticamente nos transporta para uma época bem mais simples e doce de nossas vidas.

Ao ouvir o barulhinho do jogo, você fecha os olhos e lembra as tarde que virava com os amigos jogando, lembra até do cheiro do lanche que sua mãe preparava pra você. Muito louco, não é? Com isso, penso que tentar manter vivas essas memórias afetivas é um dos principais combustíveis para que sejamos ávidos consumidores de tudo relacionado aos clássicos games dos anos 80 e 90.

Fator Histórico

As bibliotecas prestam um excelente serviço de curadoria histórica. Cada livro, revista e artigo que se encontra ali seguem armazenados e preservados como documentos históricos de várias épocas de nossa sociedade. De forma semelhante temos os serviços de streaming de áudio e vídeo. Salvo as devidas proporções, também vejo neles um sentido de catalogação histórica, onde você pode recorrer e ter acesso a filmes e músicas de outras épocas que nos marcaram.  E os games? Existe algo semelhante para com os jogos eletrônicos?

Hoje em dia, empresas como Sony e Nintendo disponibilizam em seu catálogo digital vários jogos de consoles mais antigos, e até acho válido a iniciativa. Mas, como nem tudo são flores, muitos games antigos acabam não entrando nessas listas, e muita coisa acaba se perdendo. Jogos que você jogou com seus primos e amigos, que lhes trouxeram muitas horas de diversão, mas que não podem ser consumidos legalmente nos dias de hoje.

Isso levanta um debate que podemos trazer em outro momento: até que ponto os emuladores são vilões e incitam a pirataria? Ou seriam eles heróis por ajudarem a preservar a história “videogamística”? É bom tema para um próximo papo, não acham?

O fato de gostarmos de jogos e consoles antigos e de termos até uma coleção mesmo que pequena, contribui muito para que um pedaço dessa história dos games seja preservada. Infelizmente, muitas coisas só podem ser acessadas através de emuladores, pois já não há mais mídia física desses itens.

Sendo assim, a cada vez que desenterramos de nossa coleção e jogamos aquele cartuchinho surrado de Golden Axe no nosso Mega Drive, ou colocamos aquele Frostbite em nosso Atari, estamos contribuindo para manter vivo um pedaço da rica e maravilhosa história dos jogos eletrônicos.

Fator Realização

Muitos de nós viveram aquela época em que a situação financeira de nossos pais nem sempre era das melhores. Juros galopantes, inflação nos batendo com pauladas, tudo isso fazia com que o poder aquisitivo do “brasileiro médio” fosse extremamente limitado. E ter dinheiro para investir em um videogame era um luxo, ter mais de um console então… era algo digno de um sheik árabe multimilionário.

Por conta disso, muitos de nós tivemos apenas um console em nossa infância. Contávamos com a sorte de ter algum amigo da nossa rua que possuísse um videogame diferente do nosso, para que pudéssemos jogar algo novo. Se você tinha um Master System, jogava um Nintendinho (na época era mais fácil ser um Famiclone mesmo) na casa do amigo, e vice-versa. Assim, tentávamos driblar a limitação financeira pra jogar o máximo de consoles e jogos diferentes possíveis!

Com o passar dos anos, crescemos, começamos a trabalhar e adquirimos nossa independência financeira. E aí vieram os desejos: agora vou comprar aquele videogame que eu não pude ter quando criança!

Poder garimpar hoje aquele cartucho que você jogava em uma locadora, ou aquele console que você só via nas vitrines das “Mesblas da vida” faz com que nosso amor pelos joguinhos velhos acabe por ser alimentado constantemente. Quando nos damos conta, já nem consumimos mais os games atuais, por estarmos presos nessa máquina do tempo.

O que aprendemos com tudo isso?

Depois de muito pensar nesse assunto, e listar esses pontos chegamos a uma conclusão. Não importa qual seja a sua motivação para jogar os games mais antigos, o importante é manter essa história viva de alguma forma. Relembre suas épocas de criança, adquira aquele videogame que você sempre quis, ou simplesmente jogue os títulos antigos por curiosidade, aqueles que você nunca jogou, mas tenha sempre uma coisa em mente: Nunca deixe de se divertir! É nosso dever levar essas alegrias para as próximas gerações!

Jogar videogames é maravilhoso, e nesses dias de isolamento eles podem ser ótima válvula de escape para momentos um tanto complicados.

 

Fonte: Warpzone