Styx imaginou trabalhadores sendo substituídos por máquinas

Em 1983, o Styx lançou “Mr. Roboto”, faixa do álbum conceitual Kilroy Was Here. Escrita por Dennis DeYoung, a música faz parte de uma história ambientada em um futuro distópico, em que máquinas assumem funções que antes eram realizadas por pessoas.

A discussão ganhou outra dimensão décadas depois, com o avanço da automação e, mais recentemente, da inteligência artificial. A ideia de máquinas ocupando funções humanas deixou de parecer apenas ficção científica e passou a fazer parte de debates sobre o futuro do trabalho.

Pink Floyd e a máquina da indústria musical

Em 1975, o Pink Floyd lançou “Welcome to the Machine” no álbum Wish You Were Here. A música utiliza a figura de uma máquina como metáfora para a indústria musical e para a maneira como artistas podem ser transformados em produtos.

A canção não fala sobre algoritmos ou plataformas digitais, mas sua crítica ganhou novas interpretações em uma indústria cada vez mais dominada pela tecnologia, pelo streaming e por sistemas que ajudam a definir o que chega ao público.

The Who já questionava a velocidade da informação

“Relay”, do The Who, foi lançada em 1972 e aborda a circulação de informações e a maneira como elas podem ser transmitidas entre pessoas. A música surgiu décadas antes da internet e das redes sociais, mas a ideia de uma sociedade conectada pela informação ganhou novas dimensões com a comunicação digital. Atualmente, a velocidade de compartilhamento também está diretamente ligada a discussões sobre desinformação e confiabilidade das informações.

Os Buggles e uma coincidência histórica

Um dos casos mais curiosos é “Video Killed the Radio Star”, dos Buggles. Lançada em 1979, a música falava sobre as mudanças provocadas pelo avanço da televisão e dos videoclipes na indústria musical.

Dois anos depois, em 1981, a música entrou para a história da televisão: foi escolhida como o primeiro videoclipe exibido pela MTV nos Estados Unidos.

A canção que falava sobre uma transformação na maneira de consumir música acabou se tornando parte da própria mudança que retratava.

O rock realmente previu o futuro?

Esses exemplos não significam que os artistas soubessem exatamente o que aconteceria décadas depois. As músicas foram criadas a partir das transformações tecnológicas e sociais que já podiam ser observadas em suas respectivas épocas.

O que chama atenção é como temas presentes nessas canções, automação, tecnologia, indústria cultural e circulação de informação, continuam aparecendo nas discussões atuais. No fim, talvez o rock não tenha previsto o futuro. Mas algumas músicas certamente fizeram perguntas que continuam fazendo sentido décadas depois.