O Detonautas está de volta em 2026 com “Rádio Love Nacional”, álbum que surge em um momento de reconstrução artística e liberdade criativa para a banda. O nono álbum da discografia é o primeiro capítulo de uma nova história, consolidando uma parceria fundamental com os produtores Pablo Bispo e Ruxell, nomes que dominam as paradas de sucesso e trazem para o som da banda influências da música brasileira de rua. O lançamento do novo projeto está marcado para a próxima sexta, 13.

A Rádio Rock foi convidada para a listening party realizada nesta quinta-feira (12), no Teatro YouTube, e teve a oportunidade de ouvir o disco na íntegra em um evento que revelou uma banda absorta em luz, ar e uma tranquilidade inédita. “É o disco mais divertido e mais tranquilo da nossa carreira até hoje”, diz Renato Rocha, baterista. Essa leveza visual e sonora se reflete na iconografia do projeto, no qual todas as faixas ganharam capas com estética cinematográfica assinadas por Pedro Hansen, abandonando tons densos por cores vivas e um alto astral que salta aos olhos.

A faixa-título abre o disco com uma sonoridade leve, pontuada por assobios, estabelecendo a premissa de uma estação de rádio que navega por diferentes intensidades. Um dos pilares centrais dessa nova fase é a influência da obra de Rita Lee, presente na acidez das letras e na ironia de composições como “Potinho de Veneno”. O registro dessa canção carrega um simbolismo forte: foi a primeira gravação oficial do Estúdio Rita Lee, na Warner Chappell, e recebeu o aval direto de Roberto de Carvalho, que dispensou qualquer alteração na faixa por considerar que a identidade da Rainha do Rock já estava presente ali.

Essa busca por novas linguagens também se manifesta em “Vampira”, terceira na faixa do álbum em que a narração de Milton Cunha insere o rock em um contexto carnavalesco e performático, usando a personagem mítica para falar de mulheres que não aceitam ser controladas.

Musicalmente, o álbum é um exercício de hibridismo: o tracklist entrega desde o reggae em “Antimonotonia”, carregado de gírias regionais, até o peso de “Espadachim”, que funde riffs de metal ao trap.

Entre as letras que surgiram de insights de madrugada, como “Renda-se”, e as narrativas de despedida em “Fim da Encruzilhada”, o grupo demonstra uma capacidade de renovar o próprio vocabulário sem descaracterizar sua origem.

Ao absorver referências que vão de Gaby Amarantos a Reginaldo Rossi, o Detonautas encerra o ciclo de regravações para inaugurar uma fase de “frescor” criativo. “Rádio Love Nacional” é o registro de uma banda que, aos 27 anos de estrada, entende que precisa se conectar com as diversas realidades do país para manter sua arte pulsante e atual.